Ser ou não ser mãe?

Olá querido diário!
Olá querido leitor e querida leitora, tudo bem com você? Espero que sim.

Como é bom estar aqui, neste cantinho tão especial onde me sinto feliz e segura para compartilhar a minha essência!

A última postagem que fiz foi em outubro de 2021… Já faz um tempinho, né? Aconteceram muitas coisas nesses quase dois anos que quero compartilhar com você, pois sinto que são fatos relevantes sobre os quais vale a pena refletir a fim de compreender, aprender e seguir.

Desejo “reabrir o baú”, olhar e organizar algumas coisas aqui dentro.

Inclusive, aproveito para lhe fazer um convite: o que acha da idéia de também dar uma olhadinha aí no seu baú? Talvez seja o momento de rever algumas coisas, organizar outras. Jogar fora algumas peças, fazer uma limpeza geral… Ou simplesmente apreciar o conteúdo que está aí, dentro de você.

Vem comigo!

Um primeiro tesouro que quero trazer à tona é a história do nascimento do desejo de ser mãe. Comecei a escrever sobre isso no dia 23 de junho de 2021. Guardei essas palavras para que fossem publicadas no momento certo…

No início da primavera, no dia 25 de setembro de 2010, nós nos casamos, eu e meu marido Luiz Antonio. Foi um momento lindo e muito especial em nossas vidas. Fomos morar na cidade de Itajubá MG, onde meu esposo estudava e trabalhava. Nós sempre pensamos em ser pais, era algo que estava em nossos planos. Inclusive, sempre conversamos sobre ter um filho por meio da adoção. Tínhamos alguns planos e prioridades para o início do casamento, sendo assim, nós evitamos a gravidez durante os 5 primeiros anos. Depois desse período eu decidi parar de tomar os anticoncepcionais e a expectativa pela gravidez começou.

Eu pensava constantemente na maternidade, mas, de verdade, eu não tinha o desejo de ser mãe. Hoje, isso é muito claro para mim, mas, naquela época, era algo confuso e muitos questionamentos se passavam pela minha mente. Afinal, eu queria ou não ser mãe? Qual seria o melhor momento? Será que a minha gravidez estava nos planos de Deus?

Eu ouvia as mães contando sobre seus filhos. Eu ouvia as mulheres dizendo para eu fazer isso ou aquilo (para eu engravidar). Eu ouvia os casais dizendo que estavam orando por mim e por meu marido, para que fôssemos pais em breve. E, diante de tudo isso, eu pensava: o que de fato eu quero para mim?

Confesso que algumas coisas me irritavam… Comentários e perguntas bastante inconvenientes, do tipo: faz tempo que vocês estão casados, porque ainda não possuem filhos? Vocês não podem ter filhos? O que estão esperando?

Você, homem ou mulher, já passou por isso? É um tanto desagradável, não é mesmo?

A percepção que eu tinha era de que as pessoas não estavam preocupadas com a minha felicidade, não queriam me ajudar naquilo que eu estava precisando no momento, mas sim, queriam simplesmente dizer que eu tinha que ter filhos, como se isso fosse uma obrigação. Hoje entendo que, para muitas daquelas pessoas, ter um filho era a coisa mais maravilhosa, a maior realização de suas vidas e desejavam essa benção para mim.

Refletindo sobre essa questão, aprendi que sonhos e realizações têm um significado diferente para cada pessoa. Cada pessoa tem os seus sonhos, e esses sonhos serão vividos em diferentes fases da vida. É preciso aprender a ouvir, compreender e respeitar. Algo que parece ser bom e positivo para uns, pode ser um problema, um conflito, um pesadelo para outros.

No ano de 2017 eu e meu marido nos mudamos para Jundiaí SP. Vim para cá com vários planos e sonhos, dentre eles, o desejo de compartilhar a minha essência, de realizar-me profissionalmente e de ter filhos.

Em 2018 eu e meu marido decidimos fazer alguns exames mais específicos a fim de verificar se estava tudo bem, se seria necessário algum medicamento ou tratamento para a gravidez. Os exames estavam ok. Por conta do tempo que estávamos tentando engravidar (um pouco mais de 3 anos), o médico comentou sobre uma infertilidade natural do casal. Eu não sou especialista nisso e peço desculpas pelo jeito simples de explicar, mas o meu entendimento (sobre o que médio comentou) é que alguns casais são inférteis, não porque possuem algum problema fisiológico, mas porque simplesmente não se combinam, passam anos juntos e não se reproduzem. Isso é comum.

Naquele momento, estávamos com os exames em mãos. Tínhamos dado um importante passo em direção à nossa maternidade e paternidade, poderíamos iniciar um tratamento para nos ajudar na realização desse sonho. Mas não demos esse passo. Por que não, Bruna?

Eu não estava preparada. O pensamento estava ali. Mas, e o desejo de ser mãe, onde ele estava?

Existia uma questão emocional, psicológica…sei lá…algo que eu precisava resolver. Então decidi relaxar e dar tempo ao tempo.

No início de 2020 eu tomei uma importante decisão: fazer terapia. Ha algum tempo eu estava com alguns conflitos, sentia-me muito incomodada com o comportamento de algumas pessoas à minha volta. E eu sabia que o caminho não era mudar as pessoas, mas entender por que eu me sentia daquela forma e mudar a minha forma de ver, sentir e agir. Essa foi a principal motivação para eu iniciar a terapia além de outras quatro questões, dentre elas, a maternidade.

Ah, caro leitor, se eu pudesse te dar um conselho, seria: FAÇA TERAPIA. Que benção! Que coisa maravilhosa! O conhecimento é algo que verdadeiramente nos liberta!

Bem, em algum momento, durante a terapia, eu levei essa questão da maternidade e entendi que eu precisava parar de me cobrar. Eu sabia que queria ser mãe e sabia em que momento queria, mas tinha medo de afirmar isso pois parecia algo fora do meu controle. Uma coisa era eu dizer que ia fazer um curso no mês de janeiro de 2020, outra coisa era eu dizer que iria ficar grávida no mês tal do ano tal… Eu percebia esse objetivo como algo fora do meu controle, isso me deixava ansiosa e a cobrança externa só piorava a situação.

Então eu ouvi algo que foi libertador: “Sim, você pode controlar esse plano! Sim, você pode ser mãe quando e como você quiser!”

Será que você, assim como eu (naquele momento) também não está precisando ouvir isso? Se for o caso, olhe para o espelho e diga em voz alta: “Eu posso e serei mãe quando e como eu quiser!”

Tomei consciência das muitas realizações da minha vida, de como Deus havia apoiado e abençoado os meus planos. Não seria Ele capaz de também apoiar e abençoar essa minha decisão? Eu tinha medo. Medo de fracassar. Era mais fácil não assumir a responsabilidade, não agir, colocar tudo na mão de Deus e esperar.

Após ouvir aquelas palavras poderosas, da minha terapeuta Vivi, e tomar consciência da minha condição, eu determinei quando e como seria mãe. Entendi que aquele ainda não era o momento. Eu tinha outras prioridades e fui vive-las com a certeza de que em breve chegaria o momento de focar na maternidade. Trabalhei, estudei, estruturei um treinamento de educação financeira. Eu e meu marido nos mudamos para uma casa (um grande objetivo alcançado). Isso tudo em meio à pandemia…

Ao nos estabelecermos nessa nova morada, realizamos um grande sonho: adotamos o nosso primeiro cachorro! Ah, que delícia! O Batatinha chegou no dia 20 de setembro de 2020. Lembro quando uma amiga (que trabalha com adoção de animais) me mandou uma foto dele. Foi o primeiro cachorrinho que vi. Ele estava com 9 meses. Foi amor à primeira vista. Meu vira-lata caramelo! O Batatinha nos trouxe muito muito amor. O Batatinha virou aquela chave… Foi ele, sim, foi ele que fez brotar dentro de mim o desejo, aquele desejo que eu precisava para ter uma atitude frente à maternidade.

E o primeiro passo foi dado: no início de dezembro de 2020, eu e meu marido participamos de um encontro preparatório para inscrição no cadastro de pretendentes à adoção. Ali iniciava a minha primeira gestação!

O segundo semestre de 2020 foi marcado por vários acontecimentos: a conclusão de atividades importantes, a mudança de casa, a chegada do Batatinha, o falecimento do meu pai… e o início de uma gestação. Tudo isso somado às preocupações decorrentes da pandemia, inclusive eu e meu marido tivemos COVID no final do mês de novembro.

No início de 2021, especificamente no dia 17 de fevereiro, eu contei para a Vivi que estava me sentindo uma tanto desanimada, não tinha disposição para trabalhar e fazer minhas atividades diárias como geralmente fazia. Depois de muito conversarmos, ao final da sessão ela me perguntou: “Quando foi mesmo que você e seu marido entraram no processo de adoção?” Eu respondi: “Agora no final do ano, em dezembro…”. Então ela disse: “É isso, Bruna”. E, conversando um pouco mais a minha ficha caiu: eu não queria mais seguir aquela rotina, não tinha mais o mesmo interesse pelas coisas que eu estava fazendo. Naquele momento, tudo o que o meu coração mais desejava era ser mãe. Eu chorei, chorei muito. Ao finalizar a sessão eu escrevi o texto a seguir e enviei para ela, como uma forma de desabafo. É uma das coisas mais verdadeiras que já escrevi na vida:

“Eu desejo ter um filho,
Mas não sei quando ele virá.
Já carrego ele pelos cantos,
Sinto a sua presença e o seu cheiro,
Mas não sei quando ele virá.
Meu desejo é largar tudo…
Deixar a casa e os afazeres domésticos:
A cama,
O banheiro,
A cozinha.
Deixar o trabalho e os estudos.
Meu desejo é tê-lo em meus braços,
Acordar com o seu choro,
Me perder no seu sorriso.
Ser sua, só sua.
Não ver o tempo passar,
Encher as horas com amor,
E perder de vista a rotina e os compromissos.
Eu desejo ter um filho,
E eu logo o terei em meus braços.
Enquanto ele não vem,
Eu vou preparar o ambiente,
Deixar tudo bem lindo,
Para ele olhar e se admirar.
Venha meu filho,
Eu te espero com os braços e o coração abertos,
Venha logo para eu te amar.”

Emocionante, não é mesmo?

No dia 13 de março de 2021 eu e meu marido participamos da primeira palestra (de um total de 6) organizada pelo GAA Semente de Jundiaí (Grupo de Apoio à Adoção). Lembro de enviar uma mensagem, pelo whatsapp, para a minha prima Paula, dizendo: “Quero ser mãe, é tudo o que mais quero nesse momento. Quero ser mãe da barriga e também por adoção. Vou lutar por esses filhos e que a vontade de Deus seja feita”. Além dessa palavras, eu disse: “Eu me sinto e estou grávida do coração, isso é divino!”.

Um dia antes eu havia mandando uma mensagem para a minha amiga Anita, dizendo: “Essa noite sonhei que estava grávida, senti a barriga dura, que gostoso. Amanhã de manhã a gente vai participar do primeiro módulo do processo de adoção. Não vejo a hora… Já sinto um amor enorme, falei ontem que me sinto grávida do coração. Quando penso choro…”.

Queridos, Deus criou o mundo por meio da palavra. A palavra tem muito poder! Você crê nisso?

Eu vivi isso na pele. Eu entendi verdadeiramente a força que existe quando alinhamos o nosso pensamento aos nossos sentimento e ações. Essa conexão produz AMOR. Essa conexão produz a energia perfeita capaz de criar, de transformar, de libertar e salvar.

Na noite do dia 25 para o dia 26 de abril de 2021 eu acordei sentindo muito enjoo. Eu havia jantado uma sopa…e não tinha motivos aparentes para eu estar me sentindo daquele jeito. Minha menstruação estava atrasada há 11 dias. Então eu pedi para meu marido comprar na farmácia um daqueles testes de gravidez. Fiz o teste logo que me levantei, na manhã do dia 27 de abril. E para nossa alegria o teste deu POSITIVO!

Sem palavras…

Uma sensação maravilhosa… Me senti muito abençoada, muito cheia de graça! Ali iniciava o que eu entendia como uma segunda gestação, pois, como contei para vocês, eu já me sentia gerando um filho no coração.

Fizemos o exame de sangue que confirmou uma gravidez de 6 semanas. Ao ver o resultado eu liguei para a minha irmã Rô e em seguida para a minha mãe, eu precisava muito contar para alguém! No final de semana fomos para Mogi Mirim e com muita alegria falamos da novidade para nossos pais e irmãos.

A partir desse momento iniciamos o acompanhamento médico e os cuidados especiais com o bebê.

Decidimos seguir com as palestras sobre a adoção, nos preparando para receber ambos os filhos (o da barriga e o do coração).

Eu pedi e busquei por respostas. Eu entendi que sim, que eu podia escolher e que Deus estava pronto para me abençoar. O desejo foi plantado em meu coração e o amor germinou em minha alma.

Nos próximos posts vou seguir contando sobre essa história de amor, sobre os sentimentos, acontecimentos, sobre o nascimento de um filho e o nascimento de uma mãe.

Mulher, você tem dúvida sobre ser ou não ser mãe?

Ore a Deus, apresente-se como você está, seja sincera e verdadeira. Não tenha medo de fracassar. Busque por respostas, não desista. Você pode realizar todos os seus sonhos se estiver em sintonia com Deus. Você pode ser luz e ser caminho para gerar a luz. Não importa a sua escolha. Eu só desejo, de todo o meu coração, que você se sinta em paz, segura e muito feliz!

Até breve!

“Eis que os filhos são herança do Senhor, e o fruto do ventre, o seu galardão” – Bíblia, Salmos 127, verso 3.

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