De volta ao começo

“Eu era pequeno, nem me lembro,
Só lembro que à noite, ao pé da cama,
Juntava as mãozinhas e rezava apressado,
Mas rezava como alguém que ama.”

Quinta-feira, 27 de fevereiro de 1986, 6h00. No hospital São Lucas da cidade de Mogi Mirim SP, nascia o quarto filho de um casal. Uma menina!

Qual seria o seu nome? A mãe pensava em Gisele ou Mariana, o pai pensava em Valéria… Então chegou a enfermeira e sugeriu o nome de Bruna. Os pais gostaram da sugestão e esse foi o nome registrado: Bruna de Fátima Pires.

Nascida de parto normal, com 3 quilos e 800 gramas, a bebê foi para casa dois dias depois. Lá ela encontraria a família: conheceria os irmãos, os tios, os primos…faria amigos e descobriria a essência da vida.

A família morava na área rural da cidade, no bairro Boa Vista, em um lindo sítio, onde a menina viveria muitas histórias: histórias alegres, histórias tristes.

Quem é que se lembra dessa menina? Como era o seu rosto? Como era o seu comportamento?

A irmã, com 6 anos, estava na casa de uma tia quando a Bruna nasceu. Ela não sabia ao certo o que estava acontecendo. Como seria ter uma irmã mais nova?

Um irmão é diferente do outro. Um irmão mais novo pode ser visto como um filho. Os mais velhos talvez queiram protege-lo e ensiná-lo para que não cometa os mesmos erros.

A outra irmã, com 12 anos, aguardava em casa, junto com o irmão mais velho, que tinha 14 anos.

Mais um filho, mais uma irmã…seria bom? Como seria dividido entre eles o carinho, o tempo e os recursos financeiros? A família não tinha as melhores condições…e isso os preocupava. A casa era pequena e velha e os pais trabalhavam duro para sustentá-los.

Junto aos irmãos estava um casal de tios, que esperavam para conhecer a recém-nascida.

O irmão recorda que a Bruna nasceu no último dia da circulação do Cruzeiro. Um dia depois começou a circular a nova moeda: o Cruzado. Na época ele cursava a 7ª série do Ensino Fundamental e lembra-se de estar usando um tênis marrom, uma calça cinza e uma camiseta “com furinhos” no dia que a irmã nasceu.

Algumas pessoas conseguem se lembrar de pequenos detalhes. Cada pessoa registra momentos diferentes e de maneiras diferentes. Um mesmo fato pode ser contado por centenas de pessoas e, certamente, uma história será diferente da outra.

No berço, ao lado da cama da mãe, a bebê chorava… Chorava muito, chorava forte… Os pais e irmãos se lembram desse fato com clareza, e a Bruna também.

Um choro intermitente, que deve ter tirado o sono dos irmãos por muitas noites… Que deve ter deixado os pais preocupados por muitos dias… Que deve ter sido muito desagradável… Inclusive para ela!

Ela chorava na tentativa de comunicar algo. O que significava aquele choro? O que estava acontecendo? Com o tempo tudo se resolveria. Mas, enquanto isso, as pessoas questionavam. Uns tentavam ajudar, outros se incomodavam com tal comportamento.

A pequena Bruna não sabia explicar, nem tampouco compreender…

– Perdoa-me mãe, perdoa-me pai, perdoam-me irmãos!

Ela só precisava desabafar, colocar para fora…e, naquele momento, tudo o que ela precisava era de amor. Toda criança precisa de amor!

“Vim a esse mundo por um motivo especial,

Não sei quem me recebeu,

Não sei como você me olhou,

Mas sei quem me enviou.

E com essa certeza,

Sei que não vim para atrapalhar,

Para te fazer chorar, odiar ou sofrer.

Sim, eu vim para amar, para te ajudar a vencer.

Você me ajudou, da sua maneira, estendeu-me a mão,

E juntos caminhamos, unidos, rumo à mesma direção.

Obrigada pai, obrigada mãe, obrigada irmãos.

Este foi, sem sombra de dúvida, 

O melhor lugar que eu poderia nascer

Para cumprir a minha missão!” 

Nas noites que se seguiam, o canto da mãe embalava os seus sonhos. Mais uma noite e um novo dia! O sol da manhã aqueceria a sua pele, a essência iria amadurecer, as flores e os frutos, no tempo certo, seriam colhidos.

 

“Porque a sua ira dura só um momento; no seu favor está a vida; o choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã” – Bíblia, Salmos, capítulo 30, verso 5.

 

Um comentário em “De volta ao começo

Adicione o seu

  1. É realmente assim, cada um faz seu melhor com as ferramentas que tem naquele momento.
    E não adianta julgar o passado pois hoje podemos pensar diferente e agir diferente. Hoje é o tempo de mudanças e o passado é para tirarmos lições e aprendizados.

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Blog no WordPress.com.

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: