Não me toque, não me rele

“Baby, baby,
Não adianta chamar,
Quando alguém está perdido,
Procurando se encontrar”

Você é capaz de se lembrar da primeira vez que tomou banho sozinho, sem ajuda da sua mãe ou de um responsável?

Era dia de semana. A mãe estava na despensa, passando a roupa, e a menina estava na sala, assistindo televisão. De repente ela pensou: “hoje eu vou tomar banho, sozinha”.

Naquele momento, sentiu o desejo de mostrar que tinha crescido. Escolheu a roupa com que ia se vestir: um shorts e uma blusinha branca, com um bolsinho na altura do peito. Pegou a tolha e foi para o banheiro. Ligou o chuveiro e tomou o seu primeiro banho, sozinha! Sentiu uma deliciosa sensação de liberdade, mas também sentiu medo…qual seria a reação da mãe? A decisão de tomar banho, sem avisar ninguém, estaria correta?

O banho foi rápido. Vestiu-se, penteou os cabelos e foi mostrar-se para a mãe.

– Mãe, eu já tomei banho!

Você tem filhos? Como você se sentiu quando eles conseguiram tomar banho ou fazer alguma outra coisa, sozinhos?

Com toda certeza, a mãe sentiu orgulho da filha. Mas ela reclamou:

– Você devia ter me avisado! 

A reclamação tinha como pano de fundo a preocupação. Primeiramente em relação à filha, sobre onde ela estava e o que estava fazendo. E devido ao fato de ter três aparelhos elétricos ligados ao mesmo tempo: o ferro, a televisão e o chuveiro. Um deles poderia ter queimado! A mãe pensava em tudo, se preocupava com tudo e com todos.

Mas, no final das contas, deu tudo certo, e a menina ficou muito contente com mais essa conquista!

As irmãs e a amiga Edinéia (aquela que foi homenageada com o nome da boneca) sabem bem do trabalho que a menina dava na hora de tomar banho! A Bruna não gostava de lavar os cabelos. O porquê? Não sei…talvez não gostasse de sentir a água escorrendo pelo rosto, talvez tivesse medo de se afogar…

Todo sábado, as mulheres tentavam agradá-la:

– Vamos escolher uma roupinha bem bonita para a Bruna colocar depois do banho? Vai ficar linda, cheirosa, com o cabelo limpinho…

Ai, ai, ai… Essa conversa não agradava nenhum pouco! Debaixo do chuveiro, a irmã segurava, a mãe lavava e a amiga tentava acalmá-la. Era uma luta! A Bruna saía do banho com o cabelo mal repassado e a mãe dizia:

– Olha que coisa feia! Ficou com o cabelo todo ensaboado!

O fato é que a menina não gostava de se sentir pressionada, muito menos tocada. Isso a deixava irritada. Ela precisava de um tempo: um tempo para pensar, um tempo para se concentrar, um tempo para fazer as coisas do seu jeito.

Cada criança, cada pessoa, tem o seu tempo. A vida não consiste em uma maratona, onde quem vence é quem chega primeiro. A vida é feita de escolhas, e é feliz quem escolhe com amor. 

Com o tempo, a menina aprendeu a fazer muitas coisas sozinha, do seu jeito. E o tempo do banho tornou-se também um tempo para pensar, para se concentrar e fazer importantes escolhas.

Me dá um tempo, só um tempo…

Eu preciso pensar, eu preciso me concentrar.

Pensar em quê? Pensar para quê?

Para me sentir segura, para me sentir preparada.

Segura para quê? Preparada para quê?

Para ser quem eu sou, para viver,

Para sonhar e crescer,

Para correr e brincar,

Para falar e amar.

Não me toque, não me incomoda,

Não me irrita, por favor!

Deixe-me quietinha…vai ficar tudo bem.

Eu só preciso de um tempo,

Para decidir com amor.

 

“O amor jamais acaba; mas, havendo profecias, desaparecerão; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, passará” – Bíblia, Primeira Carta aos Coríntios, capítulo 13, verso 8.

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