Pelos corredores…

“Era uma casa muito engraçada,
Não tinha teto, não tinha nada.
Ninguém podia entrar nela, não,
Porque na casa não tinha chão…”

Por volta dos 2 anos de idade, a Bruna mudou-se de casa com sua família. Na verdade, eles continuavam no mesmo sítio, só que agora em uma casa nova e bem maior.

As paredes eram brancas e as janelas, marrom. Uma bela casa! A melhor casa que os pais da Bruna já tinham morado durante as suas vidas.

Na entrada uma rampa de cimento, onde a família se sentava logo após o almoço, para descansar por alguns minutos. A garagem era espaçosa e dava acesso à área de serviço, a qual dava acesso a um “quartinho”. Esse quartinho era a despensa, onde ficavam guardados os mantimentos e alguns móveis antigos, como uma poltrona e uma mesa de madeira, onde a mãe costumava passar roupa e amassar pão.

Na garagem ficava estacionada a brasília amarela do pai, pela qual ele tinha muita estima. O pai da Bruna sempre valorizou e cuidou bem das suas coisas, uma vez que todas essas coisas representavam mais do que um investimento financeiro, mas também um grande investimento de tempo e trabalho.

Você tem valorizado as suas conquistas? Como você tem cuidado dos seus bens materiais, da sua saúde, dos seus relacionamentos?

O acesso ao interior da casa podia ser feito pela porta da cozinha ou pela porta da sala.

Como você costuma receber os amigos quando vão à sua casa? Qual é o cômodo mais agradável? O que você costuma falar para eles?

Quando as visitas chegavam, a Bruna se lembra da mãe gritando:

– Bruna…abre a porta da sala!

Então, vamos entrar. Fique a vontade!

Na sala tinha um jogo de sofá: duas poltronas individuais e um sofá-cama com quatro lugares. Os braços e pernas eram de madeira, pintados na cor preta. Eram revestidos de um couro marrom, liso. Havia um compartimento embaixo do sofá onde ficavam guardados papéis de presente, uma régua grande e alguns moldes que a mãe utilizava para costura. Na janela, cortinas beges com desenhos de folhas secas. Uma pequena mesa no centro, com uma pedra branca de mármore, e em cima um vaso com flores. Encostada na parede, uma estante de madeira, pintada na cor preta, no mesmo estilo da mesa de centro e dos sofás. Na estante tinham livros, objetos de decoração, troféus de corrida do irmão e uma televisão (com imagem em branco e preto).

Na frente da sala, do lado de fora, tinha uma jardineira. Pela manhã, a Bruna costumava sentar-se na beirada da jardineira para tomar sol. A mãe falava que o sol fortalecia, era uma vitamina.

Um corredor dava acesso a três quartos e um banheiro. Havia uma porta no meio do corredor. A pia e o espelho ficavam de frente com a porta do quarto do irmão. No seu quarto havia uma cama de solteiro, um guarda-roupa e a maquina de costura da mãe. Na parede havia um quadro com a imagem de São João.

Já no quarto das irmãs tinha uma cama de casal, um guarda-roupa e um criado mudo…embaixo dele alguns brinquedos: mesinha, cadeiras e bonequinhas.

O quarto da mãe e do pai…inesquecível! Uma cama com criados mudos embutidos na cabeceira, um guarda-roupa com chaves, uma penteadeira com 6 gavetas e um espelho grande. Em cima dela ficavam perfumes e porta-joias…com os quais a Bruna adorava brincar.

Ao lado da cama, um berço. O berço da Bruna. Ele era de madeira na cor marrom, com várias frestas, por onde a menina esticava o braço para alcançar as mãos da mãe, que a segurava todas as noites até pegar no sono… Na parede, um grande terço demostrava a fé da família.

Ao final do corredor, próximo à cozinha, tinha um buffet, um pequeno armário de madeira, que fora dos avós da Bruna. Pendurada na parede ao lado, uma telha decorada (com desenho de flores).

A cozinha tinha um piso amarelado, diferente do restante da casa. Havia geladeira, fogão e uma mesa de formica vermelha com seis cadeiras. A pia era de alumínio e o gabinete era na cor vermelha também.

Ao redor de toda a casa tinha uma calçada, por onde, por muitas vezes, a Bruna caminhou, correu, andou de bicicleta, brincou…

A Bruna se recorda do dia da mudança…ela corria pelo corredor da casa, tudo parecia tão grande! Tamanho é de fato algo bem relativo… Você se lembra de objetos que na infância pareciam tão grandes e hoje parecem pequenos?

A menina se lembra das inúmeras escadas espalhadas pelo sítio, eram enormes! Era divertido brincar nelas. Subidas e descidas, degraus intermináveis… Para onde eles a levariam? 

Calçadas, corredores, escadas, caminhos: o acesso a uma casa, a um cômodo…a porta de um castelo, a porta para a realização de um sonho…

E assim os dias se passavam, descobrindo a nova casa, descobrindo o novo lar…um lar que ia muito além de portas e janelas… A vida acontecia do lado de dentro, mas muito mais do lado de fora, onde a menina podia andar, correr, voar!

Corre, corre para os meus braços,

Vem, vem sentir o vento tocar,

A chuva molhar, 

A primavera nascer.

Vem descobrir o infinito,

Que é tão seguro e bonito,

Deixa-me apresentá-lo para você.

E quando a noite chegar,

E já não puder mais enxergar,

Vou te levar para o lar.

Lá a família te espera,

Com o cuidado que necessita.

Confie, aqui será sempre o seu lugar!

 

“Entregue o teu caminho ao Senhor; confia nele, e ele tudo fará. E ele fará sobressair a tua justiça como a luz; e o teu juízo, como o meio-dia” – Bíblia, Salmos, capítulo 37, versos 5 e 6.

“Olhai, pois, que façais como vos mandou o Senhor, vosso Deus; não declinareis, nem para a direita, nem para a esquerda. Andareis em todo o caminho que vos manda o Senhor, vosso Deus, para que vivais, e bem vos suceda, e prolongueis os dias na terra que haveis de possuir” – Bíblia, Deuteronômio, capítulo 5, versos 32 e 33.

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