“Bolinha”

“Eu nasci num recanto feliz,
Bem distante da povoação,
Foi ali que eu vivi muitos anos,
Com papai, mamãe e os irmãos.”

Chegou a hora de contar algumas histórias… Histórias, sobre as quais, a Bruna não gosta nem de pensar… São lembranças alegres e tristes, de momentos intensos, que a menina viveu com seus amigos eternos: os seus cachorros.

Você gosta de cachorros? Como você se relaciona com eles?

Bolinha era branquinha como a neve. Fofa, macia, baixinha e gordinha. Todos os dias, após o almoço, a Bruna se sentava no degrau da porta da cozinha, onde a cachorra encostava a cabeça para receber carinho.

A Bruna não sabe de onde veio a cachorrinha. Provavelmente, ela já pertencia à família antes da menina nascer.

A cachorra era pequena, porém muito valente! Vira e mexe, ela ficava prenha, e sempre dava à luz cinco ou seis cachorrinhos. Quando os filhotes nasciam, o pai da Bruna separava um deles para cuidar, os demais eram doados, e, às vezes, eram abandonados…e isso deixava a menina muito triste, muito mesmo!

Para defender os seus filhotes, Bolinha enfrentava cães grandes e bravos! A Bruna presenciou muitas brigas e sempre sofria muito, pois era pequena e nada podia fazer para socorre-los. Quando os cães avançavam, a menina corria para dentro de casa, trancava a porta e ficava ali, ouvindo os gritos, imaginando a cena…até que tudo terminasse. Quantas e quantas vezes os seus cachorros foram feridos por outros cães da vizinhança!

Naquela época, a família não tinha o hábito e nem condições financeiras para levar os bichinhos ao veterinário. O pai colocava um remédio roxo nas feridas para não juntar bicheira, a menina orava fervorosamente e, assim, eles saravam aos poucos, com o tempo…

Em uma das ninhadas, o pai separou um filhote para a família, o “Neguinho”. Seu pelo era preto e brilhante. O pai identificou que ele seria um bom cachorro: um cachorro bravo. E não é que ele era mesmo?

Neguinho cresceu e ficou como a mãe, forte e valente. Ele se deitava sempre no mesmo local e ficava posicionado, pronto para atacar. Ele costumava ser bravo com estranhos, mas com a família ele era dócil. Quando morreu, devia ter uns 12 anos…foi atropelado por um carro. Os órgãos internos foram afetados, sobreviveu por poucos dias e depois partiu… A menina estava lá com ele, nos momentos agonizantes, não tinha o que fazer, sentia-se mais uma vez de mãos atadas. Orou e entregou a Deus, na certeza de reencontrá-lo um dia.

Ainda sobre a amada Bolinha, ela costumava escolher lugares distintos dentro do sítio para ter seus filhotes. Certa vez, teve suas crias no meio do bambuzal, ao lado do mangueiro. Que gostoso era encontrá-los! A Bruna carregava os bichinhos, e, quando ficavam maiores, ela punha uma vasilha com leite para eles beberem, todas as manhãs, até chegar o dia de partirem para seus novos lares.

Bolinha era exemplar: uma boa cachorra, uma boa mãe, amiga, carinhosa, valente e também muito divertida! A Bruna e os irmãos jogavam pedras e pedaços de pau no rio, e a cachorra pulava na água, na tentativa de encontrar o objeto e levá-lo de volta. Era muito gostoso ficar vendo os cachorros nadando!

Nas águas, Bolinha se divertiu e alegrou a família e, nessas mesmas águas, Bolinha os deixou…

Era dezembro, mês de chuvas fortes. A Bruna estava passando uns dias na casa da prima. Ela lembra quando os pais foram buscá-la. A irmã entrou no quarto, onde ela estava brincando, e, com o olhar triste e com a voz suave falou: “Bruna, a Bolinha morreu”.

Devido à chuva, o rio transbordou. A Bolinha corria pelas margens para pegar peixes, quando a correnteza a levou para dentro do rio. Lá dentro havia um cano, onde a cachorra ficou entalada. O pai e os vizinhos tentaram salvá-la, mas a água tinha muita força! Depois de algumas horas, ela não resistiu e partiu…

Assim que as águas baixaram, o pai retirou a cachorra do local e a sepultou.

A Bruna ouviu essa história dezenas de vezes…é sempre muito triste! Os pais e irmãos também sentiram muito a perda da cachorrinha. Antes de ser levada pelas águas, Bolinha salvou os seus filhotes, levando-os um a um, pela boca, para um lugar mais alto e seguro.

Histórias tristes acontecem…o sofrimento é inevitável. Mas, afinal, o que fica de tudo isso? Qual é o aprendizado? O que de fato vale a pena ser lembrado?

A menina carrega em seu coração o amor aos animais, o respeito pela vida, o desejo de lutar pelos os que sofrem e de proteger os abandonados.

Um dia eu vou te encontrar,

E vou te abraçar e beijar,

Colocá-lo em meu colo e protege-lo,

Olhar em teus olhos e agradece-lo,

Por todo amor, por todo amor…

A natureza é vida, eu sei,

A natureza é a nossa extensão…

Canta o pássaro, late o cão,

Da terra para o céu, do alto para o chão.

A semente plantada germina,

O amor, dentro do meu coração.

As histórias sobre os cachorros da menina continuam, na próxima semana.

 

“Havendo, pois, o Senhor Deus formado da terra todo animal do campo e toda ave dos céus, os trouxe a Adão, para este ver como lhes chamaria; e tudo o que Adão chamou a toda a alma vivente, isso foi o seu nome” – Bíblia, Gênesis, capítulo 2, verso 19.

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