Os cabelos da menina

“Cabelo quando cresce é tempo,
Cabelo embaraçado é vento,
Cabelo vem lá de dentro,
Cabelo é como pensamento.”

Cabelo, cabeleira, cabeluda, descabelada!

A Bruna sempre teve muitos cabelos… Cabelos tons castanho claro, loiro escuro, loiro médio…isso sempre foi um tanto complexo para a menina. As pessoas diziam que ela era loira, mas ela nunca concordou. Na cabeça da Bruna, loira ou loiro era a pessoa que tinha os cabelos dourados, amarelados. Seus cabelos eram marrons, portanto ela se considerava morena. Simples assim. Uma morena com os olhos verdes.

O pai tinha uma tesoura grande e costumava cortar o cabelo dos filhos. Quando jovem, ele cortava o cabelo da molecada, nos finais de semana. O fato é que cabelo de menina requer cuidados especiais…mas o pai não tinha grandes habilidades…vira e mexe ele avançava demais com a tesoura e a franja ficava ligeiramente torta, para desespero das filhas!

Certa vez o pai decidiu cortar não só a franja, mas todo o cabelo da Bruna…ela devia ter uns 3 ou 4 anos de idade. Resultado: a mãe teve que levar a filha na vizinha, cabeleireira, para acertar o corte e, nesse acerto, a menina ficou com o cabelo curtinho, igual ao de um menino. Ela chorou muito…sentia vergonha, sentia-se feia! Como seria quando as pessoas a vissem daquele jeito?

Alguma vez você já sentiu vergonha do seu cabelo? Já quis mudá-lo? Já se sentiu feio ou feia?

Por diversas vezes a menina chorou de vergonha de seus cabelos, sempre volumosos e armados. Ela gostava dos seus cabelos, sim, e muito! Gostava da cor, da força, do brilho e da textura. Mas era muito cabelo para uma menina pequena, magra…e isso rendeu muitas brincadeiras de mal gosto por parte da família e amigos, o que hoje conhecemos como bullying.

Você já foi vítima de agressões verbais por conta de alguma característica física que possui? Como você reagiu?

Palavras tem o poder de construir, mas também de destruir. É uma arma poderosa que deve ser usada com sabedoria. Se não for usar das palavras para ajudar, para agradar, para alegrar, enfim, para fazer algo bom, é melhor guardá-las com você.

A Bruna sempre fez o possível para disfarçar o cabelo volumoso, que incomodava, que caía no rosto, que prendia os movimentos do seu corpo. Ela decidiu prendê-los. Quem é que não se lembra da menina com o cabelo preso? Era isso: um simples “rabo de cavalo” e a menina se sentia livre para correr, para brincar, sem cabelo algum para atrapalhar!

Algumas vezes a menina teve os cabelos cortados pela patroa da mãe…ela era tão carinhosa, tinha as mãos leves e a voz macia e deixava a menina feliz com o seu penteado. Mais tarde, a Bruna conheceu outras cabeleireiras e um novo e magnífico corte: o corte “chanel”.

Ficou perfeito! Agora ela lavava os cabelos, penteava-os, acertava as pontas com a escova, virando os fios para o lado de dentro, e assim ela ficava, sem se mexer, até que os cabelos secassem intactos! Na hora de dormir, acertava a cabeleira de modo que nenhum fio ficasse “fora do lugar”. Os irmãos achavam engraçado o comportamento da caçula, e as amigas da escola questionavam como manter os cabelos tão bem arrumados.

Foi-se a fase do “chanel”… Mais tarde outros cortes viriam, os cabelos continuariam sendo muitos, a vaidade permaneceria e o desejo de ser livre também. O simples e bom “rabo de cavalo” marcaria o seu jeito de ser, seria a sua característica, o seu sinal…um sinal dado por um surdo, para que a menina pudesse ser conhecida muito além do seu mundo.

Nada me prende,

Nem um fio, nenhum traço,

Nada me prende!

Eu não sou refém,

Eu sou alguém com cara, com gostos,

Sou alguém livre,

Dentro ou fora de um corpo.

O meu jeito é surpreendente…

Esse detalhe…ah, esse detalhe,

Ele me faz ser diferente!

Valorize as suas características e o seu jeito de ser. Valorize as características dos outros também. Perfeição é uma questão de aceitação: as pessoas podem ser perfeitas quando as aceitamos como são.

 

“Fazendo-o dormir no seu colo, ela chamou um homem para cortar as sete tranças do cabelo dele, e assim começou a subjugá-lo. E a sua força o deixou” – Bíblia, Juízes, capítulo 16, verso 19. 

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