Educação: a base da evolução

“Chuva de prata que cai sem parar
Quase me mata de tanto esperar
Um beijo molhado de luz
Sela o nosso amor”

A professora costumava cantar essa música durante a aula… Você se lembra do seu primeiro dia na escola?

A Bruna estava ansiosa. O pai chamou, estava na hora de se levantar, devia ser umas cinco da matina. A roupa e o tênis já tinham sido separados no dia anterior. Tomou um copo de leite, pegou a mochila e foi com a mãe até a pista, que ficava a cerca de 500 metros da sua casa. Lá, encontrou outras crianças: algumas como a Bruna, indo para a escola pela primeira vez, outras mais experientes, cursando o segundo, terceiro ou quarto ano do primário.

Naquela época, não tinha creche na região. As crianças completavam o primário na escola rural e depois continuavam os estudos nas escolas urbanas.

Na beira da pista, a menina sentia frio. A neblina dificultava a visibilidade.

Como vamos para a escola? Quem será o nosso motorista? Será que vai ter outras crianças que já conhecemos? 

Chegou o transporte. Era uma perua branca e, dentro dela, alguns alunos, professoras e a merendeira. A condução não comportava muito bem os transeuntes. As crianças sentavam-se no colo uma das outras, mas, no final da viagem, dava tudo certo.

Antes de chegar na escola, um longo caminho a percorrer. De dentro da perua a menina olhava a estrada, as árvores, as casas, os cachorros (que sempre acompanhavam as crianças até o ponto). E, aos poucos, ela registrava cada detalhe, cada porteira, cada rosto novo.

O que vamos fazer ao chegar lá? Quem será a minha professora?

Esse foi, com toda certeza, um dos dias mais importantes na vida da Bruna. A escola representava: educação, conhecimento e a oportunidade da menina ser alguém na vida, de ter um futuro melhor.

“E.E.P.G. “R” – Professor Orlando Boni. Mogi Mirim, SP, dia XX de fevereiro de 1993″.

A escola era pequena, devia ter quatro salas de aula, banheiros, cozinha, sala da diretoria e um pátio. Ao redor da escola, algum espaço para correr e brincar, com pedras e grama. Havia uma cerca de arame que limitava a área, com muitos pinheiros na frente e na lateral direita. Havia também um grande pé de amora, do lado de fora. Os seus galhos invadiam o terreno e as crianças e professores aproveitavam para comer as frutas na hora do recreio.

A Bruna tem infinitas lembranças da sua primeira escola: lembra-se da amiga que levava virado de feijão (o melhor do mundo!), das conversas e brincadeiras, de sentar-se junto com os amigos e ajudá-los nas tarefas, do dia em que conheceu a sua “melhor amiga”, das aulas de educação física no “campo” (as crianças faziam aula no campo de futebol, que ficava próxima à escola), dos passeios à pé com a turma pelas estradas de terra, das festas juninas com roupas verdadeiramente caipiras… A menina se lembra do dia que levou a chupeta no bolso da calça, das aventuras na perua e no ônibus escolar, do carinho da merendeira, da deliciosa polenta com carne moída, dos dias que hasteavam a bandeira do Brasil, das músicas que cantavam e dançavam, em especial, a primeira música do dia:

“Bom dia professora como vai
Bom dia professora como vai
Faremos o possível para sermos bons amigos
Bom dia professora como vai”

E a professora? A primeira e inesquecível professora da menina chamava-se Vanda. Ela era alegre, carinhosa, sonhadora, inteligente e cheia de energia positiva! A Bruna gostava de levar flores para ela: rosas e hortênsias. Ela tinha muitas ideias e desenvolvia um projeto. Que projeto seria esse?

Um projeto com o objetivo de contribuir na educação das crianças. Assim que chegavam na escola, a professora fazia um relaxamento com a turma. Logo após, as atividades eram escritas na lousa, separadas por disciplina. Os alunos juntavam as carteiras, formando pequenos grupos (com cerca de seis alunos). Cada grupo (cada cantinho) representava uma disciplina. No cantinho da matemática, os alunos faziam as atividades propostas. Após finalizarem, se levantavam e iam para outro cantinho, o de Ciências, por exemplo. Assim, os alunos faziam as tarefas na ordem que queriam e, até a hora do recreio, eles tinham trabalhado todas as disciplinas. Após o recreio era feita a correção das atividades.

A Bruna prestava atenção a tudo aquilo e achava incrível fazer parte de um projeto. Sim, um dia ela também teria o seu próprio projeto. 

Na volta para casa, a menina sentiu uma enorme alegria e um grande desejo de estar novamente ali, na escola. Quantas novidades! Quantos amigos! A Bruna nunca faltou à aula, exceto quando estava muito doente. Quando não podia ir, ela chorava e ficava emburrada o dia todo.

Na beira da estrada, a mãe esperava com os cachorros, com uma sombrinha para proteger-se do sol do meio dia. Em casa, um almoço fresquinho esperava pela menina e uma tarde toda, para ser criança.

A escola é um lugar especial. Professores e amigos são pessoas especiais. Na escola, a Bruna se sentia especial. A escola abriu muitas portas, porteiras, muitas estradas e caminhos para que a menina pudesse crescer, se desenvolver, sonhar e realizar.

GRATIDÃO A TODOS QUE LUTARAM E LUTAM PELA EDUCAÇÃO, EM NOSSO PAÍS!

Ainda não sei ler, nem escrever,

Mas eu posso falar.

Ainda não sei contar, 

Nem somar, nem subtrair,

Mas posso fazer amigos e sorrir.

Ainda não sei a música de cor,

Mas posso repetir e aprender,

Posso lapidar o meu ser,

Posso ser melhor.

Vou errar, mas vou corrigir,

Vou cair e com certeza, me ferir.

Mas vou me levantar e correr,

Persistir, lutar, vencer.

Não faltarei às aulas, 

Não haverá displicência,

Porque a educação é um valor da escola,

Que agora faz parte da minha essência!

 

“Que todas estas palavras que hoje lhe ordeno estejam em seu coração. Ensine-as com persistência a seus filhos. Converse sobre elas quando estiver sentado em casa, quando estiver andando pelo caminho, quando se deitar e quando se levantar” – Bíblia, livro de Deuteronômio, capítulo 6, versos 6 e 7.

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